Prevenção integral ao suicídio, especial Setembro Amarelo

Estamos no mês do Setembro Amarelo. O dia 10 de Setembro é o Dia Internacional de Prevenção ao Suicídio. Na verdade a cor amarela surgiu no ano de 1994 quando um jovem de 17 anos chamado Mike Emme, que morava com os seus pais em Westminster, cidade no Colorado (EUA) se matou dentro de seu Ford Mustang 1968. Mike reformou o carro e pintou-o de amarelo.

O adolescente cometeu suicídio por não saber pedir ajuda. No dia de sua morte ele deixou um bilhete pedindo para que seus pais não se culpassem pelo o que ela havia feito. Depois de sua morte foi descoberto que Mike tinha sinais de depressão e não estava sabendo lidar com um término de um namoro.

Durante o enterro, seus pais Dale e Darlene Emme distribuíram cartões com fitas amarelas para todos os que estavam presentes. No cartão estava escrito a frase “se você está pensando em suicídio, entregue este cartão a alguém e peça ajuda!”.

Uma pessoa que estava no funeral espalhou os cartões pela cidade, e em semanas os pais de Mike começaram a receber ligações pessoas de todo o estado pedindo ajuda. Pouco tempo depois a iniciativa ganhou repercussão nacional e mundial. A cor amarela é usada para representar a campanha a fim de homenagear o jovem apaixonado pelo Mustang 1968 amarelo.

O SUICÍDIO NO BRASIL E NO MUNDO

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo (800 mil casos por ano) e 32 pessoas se suicidam no Brasil por dia. Por ano (32 x 365 dias) temos um total de 11.680 casos. O suicídio no Brasil mata mais do que a AIDS e o Câncer. É um número muito preocupante. 

ESTEJAMOS ATENTOS 

Desemprego, dificuldades nos relacionamentos, decepções, dores crônicas, problemas familiares, problemas emocionais (depressão) e com a autoestima são fatores que levam muitas pessoas a tirar a própria vida, até porque entendem que não há um meio para se resolver, não há solução. O mundo tecnológico tem os seus benefícios, mas o uso excessivo tem formado uma geração de pessoas com uma fraqueza nos laços sociais, famílias que não preparam os seus membros para a vida, pessoas que não sabem lidar com as frustrações pois são imediatistas e ansiosas. 

Todos esses fatores mencionados acima podem mudar uma pessoa no que se refere aos seus comportamentos. Podemos destacar dois: A mudança dos hábitos comuns levando a pessoa ao distanciamento das pessoas e a queda do rendimento mas coisas que realizava. Se esses sinais estiverem presentes por pelo menos 4 semanas é momento de agir. O importante é estarmos atentos, pois são coisas discretas em muitos casos, sem grandes alardes. Assim como os pais de Mike fizeram, ao percebermos algo que possamos nos aproximar e oferecer uma escuta acolhedora, sem julgamentos para que a pessoa possa falar o que sente. Muitas vezes não será tão fácil a pessoa se abrir prontamente, mas saber que tem alguém disposto a ajudar já é importantíssimo. Muitas vezes a família é inábil na empatia e o ambiente da casa acaba adoecendo mais ainda o indivíduo através de críticas, rejeições e o pior: subestimam os sinais dizendo que “não é nada”. Na verdade o suicídio não tem a ver com tirar a vida, mas em tirar aquela dor, o sofrimento. Afastar-se da dor e o sofrimento é o objetivo do suicídio. 

É importante darmos voz à essas pessoas e recomendar ajuda profissional habilitada (psicólogos, psiquiatras, psicanalistas, terapeutas) para que possam ir além da ajuda leiga. É importante quebrar os preconceitos quanto à ajuda profissional (“eu não sou louco”) e a família não achar que é frescura. Isso porque segundo a própria OMS 90% dos casos poderiam ser evitados. E por que não são? 

A atual situação de pandemia aumentou os casos de ansiedade, depressão, pânico e suicídio. Este atual clima de insegurança e de restrições tem atingido o ser-humano naquilo que ele mais busca em sua vida: liberdade e bem-estar. Nunca foi tão importante temos saúde e inteligência emocional como nos dias atuais. Precisamos viver e não morrer para passarmos por este momento pandêmico e reconstruirmos o nosso mundo. Sendo assim, que os cartões com fitas amarelas estejam nos nossos corações. Que possamos promover vida e ajudar os que não estão conseguindo. Que sejamos pessoas que transformam positivamente a vida das pessoas. Que os nossos lares sejam comunidades terapêuticas e não o contrário. E que não apenas o setembro seja amarelo, mas que em todo o ano tenhamos atenção! Viva a vida! 

“Este mês nós do site O Mariliense vamos publicar várias matérias especiais e colunas sobre o “Setembro Amarelo”. Esperamos que as mensagens cheguem as pessoas que tanto necessitam de uma palavra amiga em tempos tão difíceis, dos quais estamos vivendo. Compartilhe com o máximo de pessoas que você conheça, a informação nunca é demais.”

Este texto foi escrito por Ricardo Baracho, CEO da EU ME AUTORIZEI empresa que capacita pessoas a uma vida de excelência através de cursos on-line, presenciais e palestras. É doutor em Psicologia Clínica pela Flórida Christian University (FCU), tem curso de Maestria da Negociação (Negotiation Mastery) pela Harvard Business School (HBS), é Personal & Professional Coaching pela Sociedade Brasileira de Coaching (SBC), é Pós-Graduado em Neurociência Clínica pela Faculdade Unyleya e tem MBA Executivo em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). É psicólogo (CRP 08/12643) e psicanalista clínico (SPP/PR-0136) na cidade de Londrina/PR. É autor do livro Terapia Psicanalítica Empreendedora – a reconstrução do crer no ser para o fazer 

 

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