Projeto AgroFloresta recupera área degradada e valoriza a segurança e soberania alimentar

Trabalhar a favor da natureza e não contra ela, associar cultivos agrícolas com florestais, recuperar os recursos ao invés de explorá-los e incorporar conceitos ecológicos ao manejo de agro ecossistemas são algumas das características desenvolvidas através da agrofloresta.

Esse trabalho vem sendo desenvolvido em Marília pelo ambientalista e agente da Pastoral da Terra CPT – Marília, Diego Tramarim, sob coordenação e apoio técnico do ativista ambiental André Luiz Lima, em parceria com a Prefeitura, objetivando recuperar áreas degradadas, evitando processos erosivos e equilibrando a recuperação da vegetação nativa com a segurança alimentar e nutricional.

Segundo Cassiano Rodrigues Leite, Chefe do Meio Ambiente, este é um caminho sem volta, que envolve segurança alimentar e cuidados ambientais.

“Agroflorestas promovem maior diversidade biológica e resiliência ecológica e contribuem com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) elaborados pela ONU, que devem ser implementados por todos os países do mundo até 2030. As principais vantagens frente à agricultura convencional são a recuperação da fertilidade dos solos, com redução de erosão, aumento da infiltração de água, e consequentemente, a conservação de rios e nascentes. Destaca-se ainda o aumento da diversidade de espécies, privilegiando o controle natural de pragas e doenças. Essa integração entre floresta, agricultura e criação de animais oferece um caminho para enfrentar os maiores desafios do planeta, incluindo a degradação de solos agricultáveis e as mudanças climáticas, mitigando o risco de colapso dos sistemas produtivos”, afirmou Cassiano.

Diego Tramarim, coordenador do Projeto AgroFloresta em Marília, destaca a importância deste trabalho pioneiro com apoio do poder público.

“Os alimentos produzidos pela agricultura industrializada têm cada dia menos nutrientes devido ao empobrecimento das terras, às sementes “melhoradas”, colheitas prematuras e à distância entre produção e consumo. Quando a comida é um negócio, desaparecem a cultura camponesa e o emprego, o campo e a cidade se dão as costas, se destrói a biodiversidade e a fertilidade da terra, e aumenta a contaminação do ar, da água, da terra e dos alimentos, produzindo doenças e epidemias. A agrofloresta recupera antigas técnicas de povos tradicionais de várias partes do mundo, unindo a elas o conhecimento científico acumulado sobre a ecofisiologia das espécies vegetais, e sua interação com a fauna. Utilizamos, além de técnicas que recuperam a vegetação nativa, sementes crioulas, que podemos definir como uma herança de sabedoria que recebemos de nossos ancestrais, que guardam em si a riqueza natural das nossas terras e, por essa razão, devem ser preservadas e disseminadas. Minha preocupação é conservar esta herança para as gerações futuras, resgatar o que se perdeu. Cada semente tem uma história”, disse Tramarim.

A agrofloresta ultrapassa os aspectos produtivos, articulando aspectos econômicos, sociais, culturais, políticos e ambientais que envolvem a produção de alimentos, bem como busca influenciar o consumo responsável de alimentos favorecendo a saúde da população.

 

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